Sva-netra
Procuro pelo tempo com os olhos em movimentos bruscos, concêntricos, simétricos. Como o ponteiro dos segundos.
Sinto o fino presente em meus cílios e a pupila, o molhar dos milésimos, no fechar da pálpebra que esconde todo o universo... Como um olho de Shiva que se fecha e devasta todos os mundos, depois de mil anos de dores e alegrias.
Piscar que revela a mera ilusão de existência da luz que migra em imagens. Feixe de tempo que brilha, eu vejo e nunca existiu... Como Aurora boreal.
E no frio intenso no tempo presente, espremido entre o denso passado e a pitada de futuro, a verdade não me escapa à vista: toda eternidade é falsa quando se mantém os olhos abertos.
