Parto na realidade
"O amor é a maior lei que governa este ciclo poderoso e celestial, o poder sem igual que liga os diversos elementos deste mundo material..." 'Abdu'l-Bahá
“Extenso é o parto da realidade que encobre o vazio do desconhecido. A quantas anda o embate com o obscuro que ilumina, que faz seguir? A quantas anda o fluxo de energia constante que se aquece no conflito entre o ser e o existir?”
Hoje eu conheci o Felipe. Um pequeno homem de 16 dias que foi gerado no ventre de uma das minhas melhores amigas. O impacto, para mim, apesar de ter dois sobrinhos (um deles como o mesmo nome) é dele ser o primeiro filho de uma amiga que eu conheci assim, de perto. O que, não dá para enganar, me traz a sensação de que a vida segue seu caminho.
Felipe, o nome, tem o significado de o domador de cavalos. Há um ditado oriental, talvez chinês, que diz “a mente é um cavalo selvagem”. A vida de Felipe será, como a de todos nós, domar o cavalo selvagem dos instintos e cavalgar, como o ânimo de um centauro, em direção à Unidade da qual ele acaba de deixar.
O nosso Felipe chegou ao útero da realidade e nem bem sabe que ele é um indivíduo. Unido à mãe ainda pelo leite e pelo toque, não descobriu suas mãozinhas, nem como abrir os olhos – por isso não dá para saber se são azuis.
Abrindo mão dessa individualidade, Felipe trouxe a unidade de volta para as pessoas adultas que dele cuidam. O pai sai com olhos lacrimejantes para trabalhar, a mãe que voa de volta ao ninho feito águia e não consegue ver nem o piso novo para a casa nova, a avó e o avô que se apertam na realidade de outra cidade para aliviar as pressões da energia que a unidade demanda, enquanto Felipe não se descobre um ser individual.
Enquanto não se descobre um ser individual, Felipe me mostra o que acredito ser o verdadeiro sentido da vida, nos tornarmos únicos todos a nossa volta – Amar o próximo como a mim mesmo - e reconhecer o todo que é bem maior do que as partes isoladas. Um todo que não é perfeito aqui, já que é forjado no fogo do embate entre os opostos. Felipe me ajuda a caminhar ao que ele hoje é.
Mas, me pergunto, se o caminho é a União, porque nascer? Não seria perfeito participar, para sempre, da unidade original, e evitar as dores, angústias, desventuras da vida... Creio que a mesma Força que nos impulsionou para um reconhecimento individual, também nos incita a voltar para Casa da Unidade. E a jornada é a verdadeira jóia a ser conquistada. Por algum motivo, temos que experimentar a Vida e eu, em minha insignificância, acredito que estamos aqui para reconhecer o poder que tem o Amor.
Felipe, seja amado!
