Haikai da chuva
...
finda a tempestade,
o vendo faz chover
debaixo da árvore
Karam Valdo //
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finda a tempestade,
o vendo faz chover
debaixo da árvore
Numa cidade costeira, ao sul da Ilha da Grã-Bretanha, Bournemouth, existe um caminho de árvores que não completa uma milha e que leva ao mar. Antigamente era o caminho usado por pescadores e, por isso, o batizaram de Fisherman’s walk. Senti o vento que soprava naquelas folhas quando o pequeno parque fez cem anos. Gostava de recarregar as energias olhando aquelas folhas que me contavam, com fidelidade, qual era a estação que atravessávamos - coloridas na primavera, verdes no verão, amarelas no outono e peladas no inverno. Eu o via como um lugar místico, por vezes fantasmagórico devido ao vento. De certa forma tão sagrado quanto longe de minha casa.
vento na copa
mil folhas brincam
de imitar o mar
contra o vendo
todos os cães correm,
donos caminham
arbusto se mexe
não é o vento que brinca,
esquilo se esconde
nos bancos vazios
plaquinhas com nomes
de quem já viveu
ali de cima
o vento embaça
a vista do horizonte
ao norte do Atlântico
as ondas dissolvem-se -
a mil milhas, meu país
...
na ponta dos pés,
amora de calçada
na ponta dos dedos
Floral
em cinco gotas
as emoções contidas
à flor da pele
sombra se move
passeia, se encolhe -
o passar do dia
“Ao cair relâmpago
um silêncio demorado
por alguns segundos
Francisco Handa, no blog hai kais
Compor haicai é a atividade de observador para depois esquecer quem observa e quem é observado. É uma atividade não atividade contemplativa, portanto não modifica a natureza, ele também parte dela. Um haicaísta compõe e vai a campo para colher elementos de sua composição.