O rosto de Dublin #fotografia
A melhor companheira para uma viagem solitária é uma máquina fotográfica. Ajudam os meus olhos bobos a desvendarem os detalhes de cada mundo novo. E eu estava com a minha câmera novinha, observando o inverno europeu no final do ano passado.
De Bournemouth, UK, para Edimburgo, na Escócia, fui parar em Dublin, Irlanda. Ao descobrir que o motorista do ônibus tinha me passado a perna me fazendo comprar um ticket que eu não iria nunca mais usar, resolvi me revoltar com aquela cidade que não espelhava um fóton da limpeza e organização de Edimburgo.
Eu parecia ter descido de repente num filme triste, onde a frieza de prédios velhos e malcuidados. A cada foto sem graça que eu tirava, me perguntava o que eu iria fazer durante quatro dias inteiros naquela cidade.
Passei por cima do sentimento de decepção e continuei em direção ao centro da cidade fotografando ruas e prédios sem graça. Até que ao apontar a objetiva contra a luz, na intenção mais clara de velar aquelas experiências num mundo feio e distante, uma pessoa entrou na minha frente e ‘click’...roubou minha foto.
Olhei a foto na telinha e senti pela primeira vez o sabor humano daquela cidade.
Notei que os rostos dela me diziam mais do que os prédios e as imperfeições das faces me davam fotos que eu não tinha conseguido em qualquer outro lugar. Descobri alma a Dublin.
Me perdi deliciosamente nas ruas do Temple Bar, passei quatro dias entorpecido... e não foi somente culpa da Guinness.
