Inspire Fundo http://inspirefundo.com espiritualidade, mitologia e psicologia profunda no contemporâneo posterous.com Thu, 29 Mar 2012 20:54:00 -0700 Vazio estelar http://inspirefundo.com/vazio-estelar http://inspirefundo.com/vazio-estelar

Stars

 

queria ser poeta e desvelar minha vida em versos 

e ser saciado por isso, sem precisar quando teria que dormir ou comer

 

queria eu ser traduzido em palavras, mesmo que fossem metáforas fora do senso

ainda seriam palavras e eu não teria uma emoção de som oco que sou incapaz de nominar

 

afetos não descritos podem não ser vivos, mas não deixam de ter, em alguma dimensão, sua existência 

imprime seus efeitos do inconsciente para o corpo

 

queria ser organizado e racional a ponto de me traduzir em traços simbólicos lineares 

para que os que aprenderam o código, pudessem me entender 

assim eu poderia compartilhar o vazio que há em mim 

 

talvez a vida seja mesmo esse buraco negro

de natureza intocável 

que desafia a lógica do espaço-tempo

 

e talvez seja a consciência a luz que brilha enquanto é sugada no horizonte de eventos rumo à extinção

estrelas

 

vê-las me traz um nó existencial, como se no vácuo nada houvesse

como se eu fosse a pequena poeira da explosão, uma fagulha de ordem imerso num caos infinito e distante 

ordem? 

talvez pretensão minha sê-la, mas, por certo, poeira sou 

 

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Wed, 18 Jan 2012 08:46:00 -0800 Esvaziar-me http://inspirefundo.com/esvaziar-me http://inspirefundo.com/esvaziar-me

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Na hora do meu almoço de hoje, o meu amigo Rafael Noris - @rafanoris, Família Palmito e Hai-kais - me provocou com um post em seu mural no Facebook. Ele dizia mais ou menos assim "Use 5 minutos do seu almoço para ver esse vídeo do Marcelo Gleiser" 

  

Para os que não sabem, tenho um interesse estranho sobre tudo o que vem do espaço. Notícias sobre novas estrelas habitáveis, imaginações a cerca da natureza dos buracos negros... perco alguns minutos do meu banho imaginando como seria ver um quasar a olho nu. Portanto, me interessei pelo vídeo,já que conhecia o físico Marcelo Gleiser de uma série famosa sobre o Universo que ele apresentou no Fantástico. 

Foi uma surpresa encontrar um Marcelo mais filosófico. Gostei bastante do vídeo, que parece ser o teaser (uma peça de divulgação) de um documentário chamado Eu Maior ainda em produção. De certa forma, Gleiser rebateu meu post anterior ao falar de ciência. 

Descubri então que o teaser é composto por diversos trechos de entrevistas sobre felicidade e autoconhecimento, um time bacana de fontes: Professor Hermogenes, Leonardo Boff e, entre outros, a atriz Letícia Sabatella.

Já tive curiosidade para entender como os atores lidam com as diversas personas que atuam no palco de seu ser em sua jornada de trabalho. Letícia me deu uma lição muito bonita que me permitiu compreender um pouco isso, ela se esvazia e atua como um canal. Um bambu oco, já me disseram uma vez. 

Acredito que não só os atores precisam atuar com diversas "personalidades". Faz parte da profissão deles dar voz e ato aos seus personagens, mas creio que temos nossos próprios personagens aqui dentro... alguns reconhecemos, outros não, ainda outros negamos por julgarmos que é feio ou inadequado... fato é que elas estão em cena no seu palco e se mostram nos nossos sonhos, em nossas opiniões fechadas, em nossos preconceitos, nos nossos tiques nervosos... estão são atores autonomos. 

Uma das maneiras de reconhecer esses atores e ligar com eles é esvaziar-se, como Letícia faz para encorporar um personagem, para que este nosso lado desconhecido possa sugir enquanto estamos conscientes. É um esvaziar-se diferente de uma meditação, poque você pode interagir com esses conteúdos e dialogar, aliviar a pressão deles para serem ouvidos e conhecer o que eles tem a lhe dizer.

Esvaziar-me, é o compromisso que tomo para os próximos dias...

 

 

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Mon, 16 Jan 2012 10:41:00 -0800 A questionável ciência http://inspirefundo.com/a-questionavel-ciencia http://inspirefundo.com/a-questionavel-ciencia

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Certo dia, vi uma pessoa fazendo cereta ao comentar sobre a interpretação de uma caixa do Jogo de Areia  - técnica de terapia juguinana desenvolvida por Dora Kalff. Sua visão da psicologia, fortemente ancorada na dita “visão científica” não poderia concordar com o processo de interpretação de um cenário que o paciente fez, baseado em forças autônomas e inconscientes. Ela disse, “do ponto de vista científico isso é questionável”.

Essa afirmação me provocou bastante, já que ela falava mal de uma técnica que 

para mim é cara. “De fato é questionável”, pensei, “assim como tudo na ciência deve ser questionado sempre, porque sempre pensamos sob uma base teórica que não é completa e está fadada a ser superada”... argumentei por alguns dias com o espelho antes de me esquecer da história.

Um pulo para o dia de hoje, quando encontrei no livro O Tao da Física, de Fritjof Capra, um prefácio com argumentos sobre novas descobertas da ciência e da mente. Lembrei-me do assunto de novo e gostaria de mostrar, através do que o Capra escreveu, que a ciência é questionável e está mudando para a compreensão do que é espiritual – sem se emaranhar no misticismo. Como não achei o tal prefácio na internet, resolvi  copiá-lo aqui em uma tradução livre do conteúdo, que segue:

(...)

Em um nível mais profundo, a ecologia emerge juntamente com a espiritualidade por conta da experiência de nos sentirmos conectados com toda a natureza, com o pertencer ao universo, este é a essência da espiritualidade. Na outra ponta do espectro, ecologia é baseada cientificamente na teoria dos sistemas vivos. Então, a questão que se levanta naturalmente é: Somos capazes de fazer emergir uma teoria científica dos sistemas vivos que seja sobre espiritualidade?

Bem, o sistema científico pouco diz sobre espiritualidade. Mas, é interessante, pode dizer algo sobre a natureza do espírito humano.  Parte da nova teoria dos sistemas vivos traz, radicalmente, um novo entendimento da mente e da consciência, que eu discuti em detalhes no livro Teia da Vida.  Em poucas palavras, a nova teoria da conta que a cognição (o processo de conhecer) é idêntica ao processo da vida em todos os níveis do sistema vivos.De acordo com esta teoria, conhecida como teoria de Santiago da cognição, a mente não é uma coisa, mas um processo. A Mente é o processo de cognição que não é outro senão o processo da vida. A consciência é uma forma elaborada deste processo. (...) Mente e matéria não mais parecem pertencer a duas categorias separadas, mas são vistas como representantes de dois aspectos complementares do fenômeno da vida. (...) O cérebro (e, de fato, o corpo todo) é a estrutura por onde o processo se manifesta. 

O Tao da Física – Fritjof Capra - PREFÁCIO DA QUARTA EDIÇÃO

 

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Fri, 13 Jan 2012 09:20:00 -0800 Deuses para abrir os caminhos http://inspirefundo.com/deuses-para-abrir-os-caminhos http://inspirefundo.com/deuses-para-abrir-os-caminhos

Fonte das imagens: GaneshaMariaBudaExu, São JorgeMoises. 

Há certa percepção entre nós, humanos, de que a concretização de um desejo não depende somente da força de vontade. Há uma parcela parte do esforço que deve ser desempenhado por uma força criadora que é autônoma, funciona conforme uma vontade superior à vida individual, um destino que não nos compete interferir. Resta-nos pedir para que os caminhos que nós imaginamos seja traçado ao nosso desejo, mas sem garantias de que isso ocorra.

Por menos espiritual que uma pessoa seja, ela há de concordar que o homem não dispõe do controle de tudo. Ao final, é dependente dos elementos da própria natureza, de uma atmosfera, da água, alimentos e da própria vida que pode se encerrar com um terremoto ou uma enchente.

A parte dos céticos, as pessoas que se dedicaram à vida espiritual criaram belíssimas imagens para Deuses e forças ocultas com a capacidade de abrir caminhos, ampliar os horizontes para que a pessoa que pede, em sua humildade, veja o que ainda não lhe foi revelado ou que passou despercebido.

Tive a ideia deste post ao pedir para que meus caminhos se abram – sim, estou precisando! – e logo me lembrei de uma das divindades mais bonitas e ricas que eu conheço: o Ganesha.

É uma imagem muito difundida e conhecida, o Deus hindu com cabeça de elefante. Ele é a divindade que concentra a sabedoria, abre os caminhos e os olhos dos seus devotos. Une as potências de seu pai Shiva (divindade da destruição criativa) e de sua mãe Pavarti (shakti feminino de Shiva – mãe do mundo que atrai os conceitos de perseverança, disciplina e renúncia para alcançar conhecimento).  Ganesha é o removedor de obstáculos e tem como veículo um rato. (Adoraria que algum leitor mais sabido em hinduísmo ampliasse o significado deste vahana).

Pensando sobre Ganesha, procurei uma imagem na cultura cristã-católica que fizesse um paralelo na função de abrir os caminhos. Pensei no Deus de Jacob e Abraão (que os cristãos dividem com os judeus).  Ele ajudou o profeta Moises a guiar o povo eleito à terra prometida, para isso, dividiu o Mar Vermelho ao meio, abriu um caminho inexistente que serviu como saída do Egito. Em linguagem simbólica, o Deus do Velho Testamento se mostra capaz de criar caminhos inimagináveis para o devoto que nele confia. Uma antiga lenda judaica conta que Deus só abriu o caminho pelo mar depois que Moises deu o primeiro passo em direção às águas.

Mas como o Deus do Velho Testamento é mais reconhecido pela sua impetuosidade do que por sua capacidade de abrir os caminhos da humanidade, me lembrei de uma figura que me é muito cara na religião católica – Maria. Lembro-me de meu pai me ensinando o que era quase um mantra, - “Maria, passa na frente!” - ele dizia diante de alguma dificuldade. Maria reúne essa qualidade por ter acreditado sem provas no espírito de Deus que lhe gerou o Filho do Homem. Maria abriu os caminhos humanos de Jesus, que se tornou o Cristo através também do que aprendeu com ela. É o sagrado feminino cristão.

Outra forma de mitologia religiosa que tem despertado a minha atenção nos últimos tempos é a yorubá, dos Orixás... Umbanda e Candomblé. Procurei num belo livro que tenho “Mitologia dos Orixás" de Reginaldo Prandi, um orixá que trouxesse a habilidade de abrir os caminhos humanos. Logo na introdução encontramos a história de Exu, o orixá mensageiro. Demonizado pela intolerância religiosa, Exu ganhou a cara do demônio, mas tradicionalmente está bem longe disso e mais próximo de Hermes da mitologia grega. Exu é o mensageiro, o primeiro a ser homenageado em um terreiro, porque sem ele, não existe comunicação com os outros orixás. Exu ganhou de Olodumare o título de senhor das encruzilhadas, e o que é a encruzilhada se não um cruzar de caminhos, um ponto onde o andante pode ter a dúvida, - “para qual caminho seguir?” No mundo dos orixás, quem abre caminhos é também Ogum, o ferreiro que manipula os metais, orixá da agricultura e da guerra. No sincretismo com a religião cristã, Ogum é São Jorge Guerreiro, que com as suas roupas e armas, protege seus devotos nos tortuosos caminhos que eles devem percorrer.

Para os Bahá’is, um Deus único é a ligação direta com o homem, não existem sacerdotes ou pessoas santas além das figuras principais que criaram a religião e os Mensageiros de Deus que criaram as religiões do passado. As dificuldades, para os Bahá’is,  são um meio de provação, uma necessidade. Elas são os próprios caminhos abertos por Deus para nos tornar melhores. Para que o crente possa superá-lo, pede-se a remoção das dificuldades em orações específicas.  

Os budistas têm um símbolo muito íntimo com o caminho.  Buda, o iluminado, apenas aponta a direção que se deve seguir para deixar a Sansara (ciclo de morte e renascimento, imerso no sofrimento da vida que é inevitável). A direção que Ele aponta é o caminho do meio. Joseph Campbell fala de imagens de Buda em que ele está sentado mostrando um mudra (aquele gesto simbólico com os dedos das mãos) que transmite confiança - “não, temas” - e, um pouco antes nas duas laterais, se posicionam dois guerreiros com espadas, prontos para dilacerar. Campbell interpreta esta imagem da mesma maneira que os arcanjos com espadas flamejantes nas portas do paraíso, na mitologia cristã, “para se chegar a iluminação a de se enfrentar os desejos do ego”.  

As imagens da mitologia religiosa para abertura de caminhos são inúmeras. Mas o que podemos extrair dessa beleza simbólica é que, a certa altura da vida, temos que entregar os caminhos a algo maior que nosso eu. Não temos o controle de tudo. Seja qual for a metáfora que embebe essa força que nos é superior, devemos humildemente confiar nos processos que a vida desenrola. E, invariavelmente, para que os caminhos se abram, é nos exigido o abandono (ou a morte) de alguns aspectos que nem sempre estamos prontos para abandonar.


 

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Thu, 12 Jan 2012 05:37:00 -0800 O tempo de Cronos e o espaço da eternidade* http://inspirefundo.com/o-tempo-de-cronos-e-o-espaco-da-eternidade http://inspirefundo.com/o-tempo-de-cronos-e-o-espaco-da-eternidade

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6h58. Meu corpo acorda depois de alguns minutos do despertador tocar.

 

Lembro-me vagamente de um sonho que acabei de ter e levanto. Levanto porque tinha que estar pronto às 8h, para chegar ao trabalho às 9h e cumprir a agenda normal e esperada para o dia 11/01/2011.

Passei boa parte do dia pensando numa imagem mitológica que refletisse o tempo dos compromissos, a vida material que tem que ser conquistada (ou perdida) a cada minuto. Lembrei-me de Cronos. 

Na mitologia grega, Cronos era filho de Gaia e de Urano. Ele matou seu pai para tomar o controle do universo. Casou-se com a irmã Rhea. Cronos tinha medo de ser destronado por um de seus filhos, assim como fez com seu pai, e por isso engolia-os, um a um, assim que vinham ao mundo. Um dia Rhea, se cansou dessa história de devorar os bebês, escondeu seu sexto filho, Zeus, na ilha de Creta e lhe deu uma pedra que foi engolida em seu lugar. Zeus cresceu e cumpriu seu destino, matando Cronos e fazendo-o vomitar seus irmãos Poseidom, Hades, Hera, Hestia e Demetrio e deu início a uma nova era. 

Não é difícil encontrar hoje que se sente engolido pelo tempo e por compromissos que no fundo no fundo não desejam fazer. Veja essa história do homem que já não fazia mais nada porque queria arrumar sempre a papelada. Mas o que a história de Cronos nos traz é que há um Zeus, além desse estado racional apegado ao tempo, que busca libertar a criatividade. Entre um minuto e outro, procuro meios para dar chances ao meu Zeus interior buscar o reequilíbrio do espaço. Busco viver a eternidade no dia a dia.

Sempre pensei que a eternidade era um tempo bem longo. Ao ler Joseph Campbell aprendi que a eternidade é um estado de espírito que se conquista se desconectando do mundo e se conectando ao nosso inconsciente. Eternidade não é um tempo bem grande, mas um estado psicológico além do tempo, que se alcança na meditação, na oração, na arte ou quando a gente cria ou faz o que gosta de verdade.

A criação só se dá em contato com o inconsciente e longe da vida da seguridade do nosso lado racional, tão treinado a não dormir nos dias de hoje. Para criar é preciso destruir o que está velho e isso nos gera o receio do novo e é isso que desperta a desconfiança do nosso Cronos interno. Diz C. G. Jung  que “a criação é ao mesmo tempo destruição e construção”.

Uma das saídas para criar um reequilíbrio nesse nosso tempo liderado por Cronos é separar pelo menos uma hora por dia que será o nosso tempo Sagrado. Nesta hora você irá fazer o que você quiser, vai ler um bom livro que não tem nada a ver com seu trabalho, vai escutar aquela música que você gosta e dançar no chuveiro, desenhar, dar um espaço para sua vida interna inundar sua consicência. A diferença dessa horinha que, de início, parece uma coisa tão simples, vai fazer uma grande diferença ao longo de seu dia e, espero, de sua vida.

 

23h17. Hora de entregar este texto, antes que bata a meia noite.

 

*"Escrevi esse texto para o projeto 3meia5 do meu amigo @ivnm. Com o fim do projeto o site saiu fora do ar e eu decidi manter esse meu texto vivo por aqui. Ontem o texto fez aniversário de um ano. O projeto pretendia trazer a descrição de um dia na vida de 365 autores."  

 

 

 

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Wed, 11 Jan 2012 10:12:00 -0800 Ame como a ti mesmo http://inspirefundo.com/ame-como-a-ti-mesmo http://inspirefundo.com/ame-como-a-ti-mesmo

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Esse vídeo sobre uma pesquisa com a reação de crianças que recebem um prato com um sanduíche e outro vazio me fez pensar.  Se o estudo for sério, nos faz olhar com cautela quem ainda pensa pela máxima de Thomas Hobbes, "O homem é o lobo do homem". 

Para ficar dentro de uma metáfora animal, o homem seria o cão do homem? Teria o homem uma predisposição inata à lealdade e a sobreviência do próximo? Em minha opinião, sim, mesmo com tantos exemplos contrários.

É daí viria um estado psicológico de profunda identificação que sentimos por outros seres humanos e outros seres vivos, sabemos – bem lá no fundo – que na verdade, somos todos um. É algo parecido com o conceito de Participação Mística (Participation Mystique) termo que C. G. Jung emprestou e ampliou do antropólogo Lévy-Brühl que determina aquele estado psicológico em que a pessoa não se diferencia do objeto - o que ocorre nos rituais primitivos. Muitas vezes, noto que um estado de impessoalidade toma minha consciência.

É possível reconhecer este estado psicológico com mais clareza nas situações-limite, em que laboratório nenhum será capaz de recriar. Quando, por exemplo, ouvimos notícias de pessoas que se arriscaram seriamente por outras pessoas, muitas vezes desconhecidos. Que força é essa que nos faz passar por cima de uma das maiores leis da natureza, o instinto de sobrevivência, para salvar a vida do outro, colocando a nossa própria vida em risco?

Para continuar essa reflexão, recomendo o trecho abaixo do livro, O Poder do Mito, onde o autor, Joseph Campbell, tece um comentário sobre a associação psicológica profunda entre viver e morrer:

“CAMPBELL: Há um magnífico ensaio de Schopenhauer em que ele pergunta como um ser humano pode participar tão intensamente do perigo ou da dor que aflige o outro a ponto de, sem pensar, espontaneamente, chegar a sacrificar a própria vida por esse outro. Como pode acontecer a brusca anulação daquilo que normalmente concebemos como a primeira lei da natureza, a autopreservação?

No Havaí, há cerca de quatro ou cinco anos, deu se um evento extraordinário que ilustra bem a questão. Há um lugar lá chamado Pali, onde os ventos do norte passam rápidos através de uma grande cadeia de montanhas. As pessoas gostam de ir lá em cima, para ver seus cabelos agitados ou, às vezes, para cometer suicídio  – você sabe, algo como saltar da Golden Gate Bridge.

Um dia, dois policiais dirigiam pela estrada de Pali quando viram, encostado à amurada que protege os carros do perigo do despenhadeiro, um jovem que se preparava para saltar. O carro de polícia parou e o policial à direita pulou para agarrar o jovem; mas o fez no instante em que este saltava, e acabou sendo carregado pelo outro; o segundo policial chegou a tempo de puxar os dois.

Você se dá conta do que subitamente aconteceu àquele policial que quase morreu junto com o jovem desconhecido? Tudo o mais em sua vida foi esquecido – seus deveres para com a família, seus deveres para com o trabalho, seus deveres para com sua própria vida  – todos os seus desejos e esperanças em relação à vida simplesmente tinham desaparecido. Ele estava a ponto de morrer.

Mais tarde, um repórter lhe perguntou: “Por que você não o deixou cair? Você teria morrido com ele”. Sua resposta foi: “Não podia. Se tivesse deixado aquele jovem cair, não poderia viver nem mais um dia da minha vida”. Como é possível?

A resposta de Schopenhauer é que tal crise psicológica representa a abertura para a consciência metafísica de que você e o outro são um, de que você é dois aspectos de uma só vida, e que a sua aparente separação é apenas resultado do modo como vivenciamos as formas, sob as limitações de tempo e espaço. Nossa verdadeira realidade reside em nossa identidade e unidade com  a vida total. Esta é uma verdade metafísica, que pode surgir espontaneamente em circunstâncias de crise. Pois esta é, de acordo com Schopenhauer, a verdade da sua vida.

O herói é aquele que deu sua vida física em troca de alguma espécie de realização dessa verdade. A idéia de amar seu próximo é pôr você em sintonia com esse fato.”

 

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Fri, 06 Jan 2012 08:23:00 -0800 Be-a-bá da Meditação http://inspirefundo.com/be-a-ba-da-meditacao http://inspirefundo.com/be-a-ba-da-meditacao

Quando uma pessoa que eu conheço descobre que eu pratiquei yoga por algum tempo sempre surge a pergunta se eu medito ou se eu sei como meditar. 

A meditação se tornou uma prática importante na minha vida, mas, confesso, estou longe conseguir me dedicar a essa hora sagrada todos os dias. E foi justamente quando eu estava pensando que tinha que aumentar a minha dedicação à meditação que me apareceram dois vídeos bem legais sobre o assunto. Eles explicam, de maneira fácil, atual e divertida, aspectos da meditação.

O primeiro é elaborado pela www.yesplus.org (uma organização que eu conheci pelo vídeo e que parece ser relacionada a alguma prática do hinduísmo). É bem didatico e explica os benefícios e a história da meditação sob um ponto de vista cultural do hinduísmo. 

  

O segundo segue a mesma linha do cartoon, mas mostra uma meditação que dura um minuto... ou menos. É creditado a Martin Boroson 2010. 

Tenho realizado a técnica da meditação instantânea nos últimos três dias, enquanto caminho. Me sumpreendi com o resultado estantâneo que ela trás. 

Para quem tem curiosidade e quer começar a meditar, eu também gosto de indicar um audiolivro. A Arte da Meditação - Daniel Goleman, é bem básico e vem com áudios que ajudam bastante no início.

Mas, se você não quer investir num livro, basta sentar-se com a coluna ereta e respirar... binque com os pensamentos que vierem, mas não se envolva muito com eles... até que eles desistam e te deixem num silêncio onde a noção do tempo e do corpo se dissolvem. Volte sempre a prestar atenção em sua respiração, quando a mente se desviar. Isso é normal, encare como aquelas repetições de movimento que temos que fazer na musculação ou em qualquer esporte. Seja persistente, o benefício se sente com a prática.

 

 

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Sun, 16 Jan 2011 19:31:00 -0800 Chuvas e o sacrifício humano http://inspirefundo.com/chuvas-e-o-sacrificio-humano http://inspirefundo.com/chuvas-e-o-sacrificio-humano

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“A terra não pertence ao homem  branco; o homem branco é que pertence à terra. Disso nós temos a certeza. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está associado. O que fere a terra fere também aos filhos da terra.” Cacique Seattle, da tribo Suquamish, nos EUA - 1854

 

Zapeando por entre notícias da tragédia causada pelas chuvas encontrei um programa sobre Tikal, uma cidade Maia que abrigou até 50 mil pessoas em seu apogeu, 600 a 900 d. C. Nas baixadas das florestas tropicais da península de Yucatán, levantava-se uma cidade de cor escarlate, com pomposas pirâmides cuidadosamente construídas em sintonia com o movimento dos astros.

Por viver do ventre da densa mata, Tikal padecia de um problema básico, a falta de reservatórios naturais de água potável. Dizem os arqueólogos que, usando tecnologias finas de pequenos declives no solo das ruas para captação da água da chuva e aproveitamento total deste bem, a cidade pode se tornar um dos mais importantes centros políticos e religiosos do mundo Maia.

O tempo ali era dividido em dois, estações de chuva e estações secas. Nas estações secas, os Maias conviviam com um ritual insuportável em nossa sociedade. Sacrifícios humanos ao deus da chuva eram realizados num poço de água potável perto dali. A água tornava-se um altar onde cabeças decapitadas foram conservadas ali, para nos contar esta história.

Mas as caveiras materialização desse mito insuportável, escondem algo que não conseguimos entender direito. Não estudo a civilização Maia, mas posso imaginar que essas as pessoas que participavam desse ritual seguiam para a morte vestidas de deuses e com um sorriso sélfico nos lábios. O sacrifício, para a civilização antiga, era uma honra... a honra de materializar o mito da ressurreição. No caso desse ritual Maia, a oferenda humana era um pedido de chuva.

(Para quem se interessa sobre o assunto, assistam o Poder do Mito, entrevista com Joseph Campbell – capítulo Sacrifício e Felicidade.)

Ao taxarmos de cruéis e débeis, nos esquecemos de considerar que os Maias, assim como muitas civilizações antigas, tinham uma vida muito mais íntima com a natureza do que a nossa sociedade. Toda a vida era orientada pelas estações, e mitos eram criados para tornar a terra sagrada. O ciclo era protegido. Uma vida era sacralizada para mantê-lo.  

Quantas vidas não sacrificamos nesta tragédia que abate o Brasil, por não sermos mais íntimos da natureza? Tomamos propriedade da terra e, apesar de termos a ciência ao nosso favor, inundamos com construções as terras esquadrinhadas em lotes – irregulares ou não -, em qualquer lugar. O resultado é uma fúria natural, que não nos deixa nem a chance de buscarmos um culpado para tanta tragédia.

A energia da natureza parece ser tão violenta quanto a força com a qual ignoramos que essa sociedade de consumo sem limites nos levará a destruição. Será que não está na hora de voltarmos alguns anos e nos espelharmos na relação que os antigos tinham com a natureza?

Com muito saber científico, e sem deixar nossa porção animal (já que estamos encarnados aqui) somos capazes de trilhar o caminho da evolução coletiva, que hoje carece de uma visão espiritual e de contato íntimo com a natureza.  Somos criativos o suficiente para sermos capazes de fazer com que a sustentabilidade supere o status de peça de marketing para salvar nossas próprias vidas.

Um pouco de silencio agora. Uma oração para quem perdeu a vida no correr das águas.

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Mon, 10 Jan 2011 17:38:00 -0800 Haikai da chuva http://inspirefundo.com/haikai-da-chuva http://inspirefundo.com/haikai-da-chuva

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finda a tempestade,

o vendo faz chover

debaixo da árvore

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Fri, 31 Dec 2010 15:17:00 -0800 Feliz Ano Novo! http://inspirefundo.com/feliz-ano-novo http://inspirefundo.com/feliz-ano-novo

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As coisas não vão mudar daqui a pouco, quando o relógio marcar meia noite.

Mas eu acredito que elas mudem sempre, todos os dias, devagarinho.

Esse tempo é bom para zerarmos o cronômetro e perceber qual de fato foi nossa mudança.

Mudar é uma atitude interna. O que vem de fora acompanha nossa mudança de dentro. "Sua vida, como a fizeres, te acompanhará para sempre", disse Chico Xavier. 

Eu desejo que você, em 2011, preste atenção em cada momento da sua vida, para fazê-la igual ou diferente, da maneira que lhe faça feliz.

Um ano inspirado e excepcional para todos vocês e todos a sua volta.

 

 

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Mon, 27 Dec 2010 18:39:00 -0800 Como aquecer o corpo e o espírito http://inspirefundo.com/como-aquecer-o-corpo-e-o-espirito http://inspirefundo.com/como-aquecer-o-corpo-e-o-espirito

Tanumanasi_los_seis_yogas_de_naropa_tumo_tummo

No budismo tibetano existe uma meditação chamada tummo. É um tipo de meditação profunda capaz de fazer a temperatura do corpo elevar-se em até oito graus Celsius. 

Em uma técnica que conecta respiração e imaginação, a pessoa pode suportar baixíssimas temperaturas do ambiente exterior,  diminuir seu metabolismo e controlar as batidas do coração – um músculo, em tese, involuntário. 

Em uma pesquisa científica recente, descobriu-se que um praticante de tummo, ao realizar entrar em estado meditativo, era capaz de produzir anticorpos que poderiam protegê-lo de possíveis infecções e curá-lo de doenças.

Saiba mais sobre o que se tem descoberto cientificamente sobre o Tummo (em inglês)

Conheci o tummo ontem, num documentário que assisti no History Channel e achei tudo muito parecido com a Kundalini Yoga, que já pratiquei um dia (um dia...).

Na Kundalini existe uma um tipo de respiração chamado respiração do fogo que se faz durante um tipo específico de meditação. Nesta respiração, a força do abdome é usada de forma intensa. Como se bombeássemos o ar para dentro e para fora mexendo o abdome de maneira rápida e esquisita, soltando o ar pelo nariz.

Esse tipo de respiração desperta a energia Kundalini enrolada feito cobra em nosso primeiro chakra, centro de energia, na base da espinha. A cobra da energia Kundalini se desenrola e alcança cada um dos sete chakras, até expandir-se para fora do corpo físico, trazendo benefícios por onde passa.

Tudo isso me faz pensar como as possibilidades do nosso corpo e o nosso poder de controle ainda são desconhecidos. Para mim, é difícil acreditar que nossa capacidade física, apesar de imensa, é o limite para tudo. Ainda no paradigma da pele, tememos novas possibilidades – e talvez nem estejamos preparados para assumir a maioria delas neste momento.

Isso não nos impede de tentar e abrir novos caminhos. Tudo bem que você não precisa se interessar por aprender tummo para ficar meditando no gelo como nosso amigo ali em cima, mas não conheço ninguém que não gostaria de controlar melhor a saúde ou se libertar do vício de emoções que se tornaram destrutivas.

Um dos caminhos para chegar ao centro é o nosso corpo, que está bem longe de ser uma máquina. Nosso corpo é o inconsciente visível, dizia Wilhelm Reich, e eu acredito que o inverso também é válido. O que acontece no nosso corpo reflete em parte de nosso inconsciente pessoal. Por isso, botar ele para movimentar, mesmo às vezes sem vontade, abre um canal para a troca de energia entre consciente e inconsciente. Aquece o sistema que nos ajuda a sermos nós mesmos, o verdadeiro “nós”, aquela voz que sempre esteve ali e que, um dia, resolvemos ouvir.

 

 

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Sun, 05 Dec 2010 17:49:00 -0800 Aura http://inspirefundo.com/aura http://inspirefundo.com/aura

 

"A Natureza é o Espírito visível. O Espírito é a Natureza invisível" - Friedrich Schelling

P1010180

Por entre as copas das árvores flutua uma névoa úmida nas manhãs das florestas. Vi ontem num desses documentários sobre a vida na selva que essa névoa é formada pela água que a árvore absorve do solo. Como ela é absorvida em excesso, a árvore devolve a água ao ambiente em forma de vapor. Isso traz a chuva e realimenta o ciclo, ao molhar novamente o solo. Mas antes de virar chuva a névoa fica ali, esfriando o ar, umedecendo as manhãs.

Crio aqui um paralelo. Tal como as árvores, nós retiramos da Terra nossas energias, alimento, ar, energias sutis, etc. Todo o bem e o mal que existe inocentemente  nos elementos da Terra  são possíveis de serem assimilados. E deles  produzimos nossa vida, nossa energia para trabalhar, viver, amar, dormir, acordar. Viver.

O excesso dessa energia que absorvemos da Terra transpira em forma de névoa ao redor do nosso corpo. Criamos então o ambiente em que vivemos com o mesmo material que absorvemos.  Devolvemos à Terra aquilo que retiramos dela. Realimentamos o ciclo, pois a chuva que umedecerá nossa aura virá de nossa própria névoa.  Criamos para nós e para os outros ao nosso redor uma atmosfera do que somos nós mesmos e assim estamos unidos nessa participação natural e mística.

Aprendi também no documentário que os sons da floresta se propagam melhor de manhã, quando as florestas estão úmidas. O ar frio favorece a propagação dos sons por toda a mata nas manhãs úmidas – e é por essa razão que as manhãs e as noites nas florestas têm sons mais ricos. Pensando em nossa névoa, é como a manutenção do ambiente que criamos com o que tiramos da Terra, fizesse ecoar os sons das nossas vidas para mais longe, o que amplia a vida que habita em nossa Vida.   


Leia também:

Anéis de Poder

Fluxo Infinito

O caminho das memórias eternas

 

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Sat, 27 Nov 2010 14:44:00 -0800 Tensão Feminino - Masculino http://inspirefundo.com/tensao-feminino-masculino http://inspirefundo.com/tensao-feminino-masculino
Aurora-3
...

Esta é uma das 38 figuras pintadas em aquarela do tratado alquímico medieval Aurora Consurgens. No passado, a autoria desse tratado foi atribuída a Tomás de Aquino. No entanto hoje, a autoria do documento é incerta.

O que essa pintura desperta em você? 

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Sun, 21 Nov 2010 10:36:00 -0800 Parto na realidade http://inspirefundo.com/parto-na-realidade http://inspirefundo.com/parto-na-realidade

"O amor é a maior lei que governa este ciclo poderoso e celestial, o poder sem igual que liga os diversos elementos deste mundo material..." 'Abdu'l-Bahá

“Extenso é o parto da realidade que encobre o vazio do desconhecido.  A quantas anda o embate com o obscuro que ilumina, que faz seguir?  A quantas anda o fluxo de energia constante que se aquece no conflito entre o ser e o existir?”



Hoje eu conheci o Felipe. Um pequeno homem de 16 dias que foi gerado no ventre de uma das minhas melhores amigas. O impacto, para mim, apesar de ter dois sobrinhos (um deles como o mesmo nome) é dele ser o primeiro filho de uma amiga que eu conheci assim, de perto.  O que, não dá para enganar, me traz a sensação de que a vida segue seu caminho.

Felipe, o nome, tem o significado de o domador de cavalos. Há um ditado oriental, talvez chinês, que diz  “a mente é um cavalo selvagem”. A vida de Felipe será, como a de todos nós, domar o cavalo selvagem dos instintos e cavalgar, como o ânimo de um centauro, em direção à Unidade da qual ele acaba de deixar.

O nosso Felipe chegou ao útero da realidade e nem bem sabe que ele é um indivíduo. Unido à mãe ainda pelo leite e pelo toque, não descobriu suas mãozinhas, nem como abrir os olhos – por isso não dá para saber se são azuis.

Abrindo mão dessa individualidade, Felipe trouxe a unidade de volta para as pessoas adultas que dele cuidam. O pai sai com olhos lacrimejantes para trabalhar, a mãe que voa de volta ao ninho feito águia e não consegue ver nem o piso novo para a casa nova, a avó e o avô que se apertam na realidade de outra cidade para aliviar as pressões da energia que a unidade demanda, enquanto Felipe não se descobre um ser individual.

Enquanto não se descobre um ser individual, Felipe me mostra o que acredito ser o verdadeiro sentido da vida, nos tornarmos únicos todos a nossa volta – Amar o próximo como a mim mesmo -  e reconhecer o todo que é bem maior do que as partes isoladas. Um todo que não é perfeito aqui, já que é forjado no fogo do embate entre os opostos. Felipe me ajuda a caminhar ao que ele hoje é.

Mas, me pergunto, se o caminho é a União, porque nascer? Não seria perfeito participar, para sempre, da unidade original, e evitar as dores, angústias, desventuras da vida... Creio que a mesma Força que nos impulsionou para um reconhecimento individual, também nos incita a voltar para Casa da Unidade. E a jornada é a verdadeira jóia a ser conquistada. Por algum motivo, temos que experimentar a Vida e eu, em minha insignificância, acredito que estamos aqui para reconhecer o poder que tem o Amor.


Felipe, seja amado!

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Tue, 16 Nov 2010 14:12:00 -0800 Haibun para o Fisherman’s Walk http://inspirefundo.com/haibun-para-o-fishermans-walk http://inspirefundo.com/haibun-para-o-fishermans-walk

 

Dsc_00314
 

Numa cidade costeira, ao sul da Ilha da Grã-Bretanha, Bournemouth, existe um caminho de árvores que não completa uma milha e que leva ao mar. Antigamente era o caminho usado por pescadores e, por isso, o batizaram de Fisherman’s walk. Senti o vento que soprava naquelas folhas quando o pequeno parque fez cem anos. Gostava de recarregar as energias olhando aquelas folhas que me contavam, com fidelidade, qual era a estação que atravessávamos -  coloridas na primavera, verdes no verão, amarelas no outono e peladas no inverno. Eu o via como um lugar místico, por vezes fantasmagórico devido ao vento. De certa forma tão sagrado quanto longe de minha casa.  

 

vento na copa

mil folhas brincam

de imitar o mar

 

contra o vendo

todos os cães correm,

donos caminham

 

arbusto se mexe

não é o vento que brinca,

esquilo se esconde

 

nos bancos vazios

plaquinhas com nomes

de quem já viveu

 

ali de cima

o vento embaça

a vista do horizonte

 

ao norte do Atlântico

as ondas dissolvem-se -

a mil milhas, meu país

 

...

O que é Haibun, do Blog Hai-Kais

Leia também: a praia

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Tue, 09 Nov 2010 06:21:00 -0800 Simplicidade http://inspirefundo.com/simplicidade http://inspirefundo.com/simplicidade
Foi num final de tarde que li este verso de Emily Dickinson. É impressionante como foi profunda a simplicidade que ele alcançou em mim. Passos leves da Centopéia que abriram a atenção para meu caminho, no jardim interior. 

How soft a Caterpillar steps-
I find one on my Hand
From such a velvet world it comes
Such plushes at command
Its soundless travels just arrest
My slow-terrestrial eye
Intent upon its own career
What use has it for me-

Emily Dickinson

Como são macios passos da Centopéia-
Achei uma na minhã Mão 
De um mundo tão veludo, ela vem
Tais plumas no comando
Sua viagem silenciosa apenas captura 
Meu lento olho terrestre
A atenção sobre seu próprio caminho
Que utilidade isso tem para mim-
Tradução livre - não me ocupei com as rimas.

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Sun, 31 Oct 2010 04:23:00 -0700 haikais para o Tigre http://inspirefundo.com/haikai-o-tigre http://inspirefundo.com/haikai-o-tigre
Trigre selvagem
a pele de veludo 
nele repousa

...

em frente ao Tigre
ele o doma - 
 olhar de tigre

...

em pé o Tigre
arranha um rugido
ao seu comando

...

não mais selvagem
o Tigre se entrega
à vida dele

Shiva-shankar

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Mon, 25 Oct 2010 08:58:00 -0700 Regra de ouro - um ponto comum entre as religiões http://inspirefundo.com/regra-de-ouro-um-ponto-comum-entre-as-religio http://inspirefundo.com/regra-de-ouro-um-ponto-comum-entre-as-religio

HINDUÍSMO

 “Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti, e deseja para os outros também o que desejas e anseias para ti.  Isto é o Dharma total” - O Mahabharata

JUDAÍSMO

“O que é odiável para ti, não o faças ao teu próximo: isto é todo a Torah; o resto é comentário.” - O Talmud

ZOROASTRIANISMO

“Essa natureza só é boa quando não fizer ao outro o que não é bom para si próprio.” - Dadistan-i-Dinik

BUDISMO

“Uma vez que para os outros, para cada um por si, o seu próprio ser é querido, então, que aquele que deseje a sua própria vantagem não prejudique os outros.” - Udana

CRISTIANISMO

“Portanto, tudo o que quiseres que os homens te façam, faz tu do mesmo modo para com eles:  esta é a lei e os profetas.” - Bíblia, Evangelho de Matheus

ISLAMISMO

“Nenhum de vós acredita verdadeiramente, a menos que deseje para o seu irmão o que deseja para si próprio” - Hadit

FÉ BAHÁ’Í

“Se os teus olhos estiverem volvidos para a justiça, escolhe para o teu próximo o que escolheres para ti próprio.” - Palavras do Paraíso, Epístolas de Bahá’u’lláh..

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Fri, 22 Oct 2010 22:27:00 -0700 pé de passarinho http://inspirefundo.com/pe-de-passarinho-0 http://inspirefundo.com/pe-de-passarinho-0

Dsc04536
...

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Tue, 19 Oct 2010 19:47:00 -0700 sobre a luz http://inspirefundo.com/sobre-a-luz http://inspirefundo.com/sobre-a-luz

 

passageira, 

a luz se perde

</object>

passageiro, 
a luz brinca

</object>

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