Inspire Fundo

Inspire Fundo

Karam Valdo  //  

Dec 27 / 6:39pm

Como aquecer o corpo e o espírito

Tanumanasi_los_seis_yogas_de_naropa_tumo_tummo

No budismo tibetano existe uma meditação chamada tummo. É um tipo de meditação profunda capaz de fazer a temperatura do corpo elevar-se em até oito graus Celsius. 

Em uma técnica que conecta respiração e imaginação, a pessoa pode suportar baixíssimas temperaturas do ambiente exterior,  diminuir seu metabolismo e controlar as batidas do coração – um músculo, em tese, involuntário. 

Em uma pesquisa científica recente, descobriu-se que um praticante de tummo, ao realizar entrar em estado meditativo, era capaz de produzir anticorpos que poderiam protegê-lo de possíveis infecções e curá-lo de doenças.

Saiba mais sobre o que se tem descoberto cientificamente sobre o Tummo (em inglês)

Conheci o tummo ontem, num documentário que assisti no History Channel e achei tudo muito parecido com a Kundalini Yoga, que já pratiquei um dia (um dia...).

Na Kundalini existe uma um tipo de respiração chamado respiração do fogo que se faz durante um tipo específico de meditação. Nesta respiração, a força do abdome é usada de forma intensa. Como se bombeássemos o ar para dentro e para fora mexendo o abdome de maneira rápida e esquisita, soltando o ar pelo nariz.

Esse tipo de respiração desperta a energia Kundalini enrolada feito cobra em nosso primeiro chakra, centro de energia, na base da espinha. A cobra da energia Kundalini se desenrola e alcança cada um dos sete chakras, até expandir-se para fora do corpo físico, trazendo benefícios por onde passa.

Tudo isso me faz pensar como as possibilidades do nosso corpo e o nosso poder de controle ainda são desconhecidos. Para mim, é difícil acreditar que nossa capacidade física, apesar de imensa, é o limite para tudo. Ainda no paradigma da pele, tememos novas possibilidades – e talvez nem estejamos preparados para assumir a maioria delas neste momento.

Isso não nos impede de tentar e abrir novos caminhos. Tudo bem que você não precisa se interessar por aprender tummo para ficar meditando no gelo como nosso amigo ali em cima, mas não conheço ninguém que não gostaria de controlar melhor a saúde ou se libertar do vício de emoções que se tornaram destrutivas.

Um dos caminhos para chegar ao centro é o nosso corpo, que está bem longe de ser uma máquina. Nosso corpo é o inconsciente visível, dizia Wilhelm Reich, e eu acredito que o inverso também é válido. O que acontece no nosso corpo reflete em parte de nosso inconsciente pessoal. Por isso, botar ele para movimentar, mesmo às vezes sem vontade, abre um canal para a troca de energia entre consciente e inconsciente. Aquece o sistema que nos ajuda a sermos nós mesmos, o verdadeiro “nós”, aquela voz que sempre esteve ali e que, um dia, resolvemos ouvir.