A questionável ciência
Certo dia, vi uma pessoa fazendo cereta ao comentar sobre a interpretação de uma caixa do Jogo de Areia - técnica de terapia juguinana desenvolvida por Dora Kalff. Sua visão da psicologia, fortemente ancorada na dita “visão científica” não poderia concordar com o processo de interpretação de um cenário que o paciente fez, baseado em forças autônomas e inconscientes. Ela disse, “do ponto de vista científico isso é questionável”.
Essa afirmação me provocou bastante, já que ela falava mal de uma técnica que
para mim é cara. “De fato é questionável”, pensei, “assim como tudo na ciência deve ser questionado sempre, porque sempre pensamos sob uma base teórica que não é completa e está fadada a ser superada”... argumentei por alguns dias com o espelho antes de me esquecer da história.
Um pulo para o dia de hoje, quando encontrei no livro O Tao da Física, de Fritjof Capra, um prefácio com argumentos sobre novas descobertas da ciência e da mente. Lembrei-me do assunto de novo e gostaria de mostrar, através do que o Capra escreveu, que a ciência é questionável e está mudando para a compreensão do que é espiritual – sem se emaranhar no misticismo. Como não achei o tal prefácio na internet, resolvi copiá-lo aqui em uma tradução livre do conteúdo, que segue:
(...)
Em um nível mais profundo, a ecologia emerge juntamente com a espiritualidade por conta da experiência de nos sentirmos conectados com toda a natureza, com o pertencer ao universo, este é a essência da espiritualidade. Na outra ponta do espectro, ecologia é baseada cientificamente na teoria dos sistemas vivos. Então, a questão que se levanta naturalmente é: Somos capazes de fazer emergir uma teoria científica dos sistemas vivos que seja sobre espiritualidade?
Bem, o sistema científico pouco diz sobre espiritualidade. Mas, é interessante, pode dizer algo sobre a natureza do espírito humano. Parte da nova teoria dos sistemas vivos traz, radicalmente, um novo entendimento da mente e da consciência, que eu discuti em detalhes no livro Teia da Vida. Em poucas palavras, a nova teoria da conta que a cognição (o processo de conhecer) é idêntica ao processo da vida em todos os níveis do sistema vivos.De acordo com esta teoria, conhecida como teoria de Santiago da cognição, a mente não é uma coisa, mas um processo. A Mente é o processo de cognição que não é outro senão o processo da vida. A consciência é uma forma elaborada deste processo. (...) Mente e matéria não mais parecem pertencer a duas categorias separadas, mas são vistas como representantes de dois aspectos complementares do fenômeno da vida. (...) O cérebro (e, de fato, o corpo todo) é a estrutura por onde o processo se manifesta.
O Tao da Física – Fritjof Capra - PREFÁCIO DA QUARTA EDIÇÃO

